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    David Vieira

    Belo Horizonte (MG)

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    Luiz Teotony do Wally, Advogado
    Luiz Teotony do Wally
    Comentário · há 12 anos
    Volto à questão para informar sobre título de doutor, sem esgotar a matéria, e sobre tese.
    A EXPRESSÃO DOUTOR É GÊNERO, PORQUE EXISTEM TRÊS ESPÉCIES DE TÍTULO DE DOUTOR, A SABER:

    a) - título de Dr. Conferido aos advogados, desde da Roma antiga, passando pela Alta e Baixa Idade Médias; consta do direito canônico, base do direito contemporâneo no sistema romano germânico (que engloba o direito Francês, Alemão, Italiano, Português, brasileiro e de outros países de língua portuguesa). Para averiguar isso, basta ler na Bíblia, quando se refere aos doutores da leis, isto é, aos advogados das causas deicas, pois, não existiam outras causas. Ainda na Bíblia, cuida-se de dois grandes doutores da Igreja Católica, Santo Agostinho e São Thomaz de Aquino; quem cursou o antigo científico, que depois veio a ser segundo grau, e atualmente ensino médio, sabe que foram canonizados santos porque eram doutores, advogados das causas do catolicismo. A esse respeito, em Portugal, são Teotony, foi elevado à condição de santo, porque sabia ler, fato que o ungiu a Prior do Crato, Portugal. Portanto, o título de Dr. atribuído aos advogados é um título profissional sagrado pela tradição e pelas leis antigas, estribando à tradição , mesmo que se mude o conteúdo das leis, o direito é fundado na tradição, nos usos e costumes, além do direito natural.

    b)- título de doutor honoris causa, que era concedido a quem defendesse uma causa sem ser douto legis, em Roma; atualmente é conferido por universidade, até para analfabeto (exemplo: o ex- presidente Lula, recebeu uns cinco títulos desse), para obtê-lo basta ser político, lato senso (não precisa defender nada). De modo que não precisa estudar qualquer quantidade de anos para receber esse título;

    c)- título de doutor que se destina ao exercício do magistério superior, especificamente para a área de pesquisa, ao qual alude o autor, conferido por universidade , para obtê-lo, basta defender uma tese.

    Assim, não precisa estudar para ser doutor, basta se envolver com política, que as universidades do Brasil e do mundo estão aí diplomando.

    SOBRE TESE, VEJAM:

    “TESE, PROPOSIÇÃO QUE SE APRESENTA OU EXPÕE PARA SER DEFENDIDA EM CASO DE CONTESTAÇÃO, ......PROPOSIÇÃO ASSUMIDA COMO PRINCIPIO TEÓRICO QUE FUNDAMENTA UMA DEMONSTRAÇÃO, ARGUMENTAÇÃO OU UM PROCESSO DISCURSIVO, O PRIMEIRO ESTÁGIO DO PROCESSO DIALÉTICO, SEGUIDO POR UMA ANTÍTESE NEGATIVA E UMA SÍNTESE FINAL DE AMBOS OS TERMOS,...”. Fonte, Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, ed. Objetiva, Rio de Janeiro, 2009, primeira reimpressão, p.1836.

    Pelo exposto supra, TESE é o mister diário do advogado, portanto, advogado é Doutor por excelência, mesmo ferindo pseudosaber de algumas pessoas.
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    Perfil Removido
    Comentário · há 12 anos
    O termo "doutor" surge na realidade na Idade Média. Estudava-se o Trivium e o Quadrivium, as chamadas "artes liberais". O Trivium desenvolvia as habilidades ligadas à mente (retórica, gramática e lógica) ao passo que o Quadrivium se ocupava do estudo da aritmética, música, geometria e astronomia. Eram chamadas de "artes liberais" porque estudava-se por livre vontade, sendo ainda que o exercício da profissão não se submetia a ordenamentos exteriores à profissão. Todo aquele que terminava o estudo do Trivium e do Quadrivium recebia o título de "mestre" e aí então podia se dirigir ao que se chamava de "artes liberais superiores": o Direito, a Teologia e Medicina. O final dos estudos destas três artes era chamado de "doutoramento", não se tratando da defesa de uma tese, como ocorre hoje. Na Idade Média a teologia praticamente se confundia com a filosofia. Não sem razão, aquele que atualmente faz um doutorado recebe o título de "Ph.D", abreviatura latina de philosophiae doctor, dado que a teologia era uma das artes liberais superiores que terminavam no doutorado. Por esta razão médicos e advogados são historicamente chamados de "doutores". As fontes para esta informação podem ser facilmente obtidas nas obras de historiadores medievalistas. Apenas para lembrar, por esta mesma tradição médicos em várias partes do mundo são tratados como "doutores". Nos países de língua inglesa médicos são chamados de "doctor"; em francês são "docteur"; na língua espanhola "doctor"; em alemão "doktor" e em italiano "dottore", coisa que deveria deixar óbvia que não se trata de um preciosismo brasileiro. Muitos já disseram aqui que o costume não é lei, argumento que me parece frágil no contexto da discussão. O termo "doutor" é costumeiramente utilizado para advogados e médicos (há séculos) e por extensão acabou sendo utilizado para pessoas que terminaram outros cursos superiores. Ora, quem faz a língua é o falante e é assim em qualquer parte do mundo. Basta lembrar que no Brasil a palavra "solteiro" teve uma mudança (ou ao menos um acréscimo) em seu significado, não se referindo mais apenas àquele que não é casado, mas que simplesmente não está namorando. O termo "doutor" é francamente utilizado no Brasil (e em outros países, como dito acima) e a língua falada não tem compromisso algum com a precisão técnica. Querer que o termo "doutor" seja utilizado tão somente para se referir àqueles que fizeram doutorado é esquecer que a língua é profunda e inevitavelmente influenciada pelo costume, que por sua vez não tem compromisso nenhum com o rigor técnico acadêmico.
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    Miasto da Silva
    Miasto da Silva
    Comentário · há 12 anos
    O doutor fez um excelente apanhado da questão no âmbito legal. Nota-se, entretanto, que como gramático e lexicógrafo o doutor é um excelente profissional e acadêmico do Direito. Sim, pois a lei não tem força sobre o que é certo e errado em nosso idioma. Ela mal e mal possui funcionalidade na ortografia. É sabido que mesmo acordos ortográficos estão sujeitos à aceitação dos falantes (sobre o tema, recomendo os artigos e livros do professor Cláudio Moreno -- que também é doutor, para os que fazem questão de balançar leis para os outros), que se dirá das outras componentes da fonologia, e da morfologia, da sintaxe e da semântica.
    O doutor poderá consultar qualquer dicionário (qualquer mesmo: inclusive escolares e "online" de bom nível), que verá o registro de outros sentidos para "doutor", além do mero sentido de título acadêmico. Claro, dicionário não é fonte absoluta. Mas quando o uso comum consagra amplamente o sentido e quando TODOS os dicionários o registram, acho que temos um argumento muito forte. Portanto, errado está o senhor. Assim como mestre não é só quem tem mestrado, doutor não é só quem tem doutorado. Nem tese é só a tese de doutorado acadêmico. Aliás, fora da sua Procuradoria (em que o senhor parece atuar, além de"custos legis"-- fiscal da lei --, também como"custos linguae"-- fiscal do idioma), posso afirmar que nos ambientes sadios que frequento o título de doutor para quem tem doutorado não é usado fora da academia. Aliás, já é pouco usado dentro dela.
    Mais interessante do que o apanhado que o doutor faz das leis é o apanhado que este profissional da área da Letras faz da questão:
    http://www.pucrs.br/manualred/textos/texto8.php
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